quinta-feira, 31 de outubro de 2013

dessa maneira


Sem motivos, o mundo começa a despencar. E mais uma vez a dúvida sobre-humana toma conta da minha cabeça. Você está ali e eu aqui e de repente fica desinteressante, morre alguma coisa e escapa pelos dedos. Como o sal na água, derrete e some. Me jogo no jogo ou permaneço segura aqui no meu lugar?
Não quero ser tratada como uma boneca de porcelana, não sou nem delicada nem fria como um exemplar belo e exótico desse mimo. Não quero nove dedos, nove horas ou qualquer outra frescura. Não quero que me escondam informações, sou bem grandinha para ouvir o que me é dito e tomar minhas próprias decisões. Ficar ou correr?
Quero tudo, por inteiro. Me interessam os sorrisos, as boas maneiras, as alegrias e tudo o que há de bom e melhor, mas também quero os problemas, as mágoas, as dúvidas a raiva. Dividir para ficar mais leve. 
Não quero a ilusão de estar tudo bem e tempos depois ver os barrancos deslizando. 
Quero saber de antemão o que se passa para que a queda seja um pouco menor ou o voo mais seguro. 
Me faça amiga, confidente. O limbo é o pior lugar para estar nesses momentos da vida, traz insegurança. Estende-me a mão, eu te puxo e tu me salva.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

pelos ares


O tempo passa, você muda e algumas lembranças vão sendo sobrepostas por outras. Sentimentos se modificam, sensações são esquecidas. Mas vez por outra a vida nos coloca frente a frente com momentos que afloram antigas lembranças, sentimentos e sensações se sobrepõem à razão e você se vê angustiada por um sentimento antigo e a sensação de perda volta com total força e não se pode fazer nada a não ser deixar o tempo passar e acostumar-se novamente com a ausência  e a angustiante espera por um dia que apesar de tão perto encontrá-se extremamente longe.
Mas talvez a espera seja necessária para que a razão tome novamente o seu lugar, para que se possa pesar as escolhas. A distância se faz importante para que o perfume não inebrie, a pele não queime e os beijos não confundam. O tempo, melhor analgésico do mundo, serve para que a emoção não tome conta e para cada um reapropriar-se de si próprio.
Olhando para o relógio, faço os cálculos e imagino onde estais naqueles minutos em que meu pensamento devaneia.
Meu medo de raízes permanece, mas porque não aprender a andar em solo firme enquanto o outro se acostuma aos ares? Todo pássaro ama o céu, mas sabe que sua vida depende das raízes fincadas na terra.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Do que é feita a inveja?


De mim, de você, de nós. De homens e de mulheres. De amigas, inimigas, irmãs, primas, mães e filhas.
Do salário mais alto, da melhor nota ou do vestido mais bonito.
Da bolsa de grife, do anel da feirinha hippie, da namorada gostosa ou do namorado atencioso.
Do apartamento na cidade ou da casa na praia.
Do cabelo liso, do cacheado, do loiro ou daquele curtinho com a nuca aparecendo.
Da amizade sincera, dos risos compartilhados e choros consentidos.
Da pela branca ou preta, dos olhos azuis e também dos acinzentados.
É feita de ser humano, do mais profundo e odioso sentimento.
Destrói amizades, famílias, comunidades. Em um dia uma pessoa normal, no outro, aquela que você queria ser ou até mesmo aquela que o outro queria ser.
Você começa a não gostar muito da atitude de alguém e quando menos vê o que está acontecendo a inveja bate a porta, a sua ou a do outro.
E não tem como dizer ou fazer nada, ou você muda ou faz mudar.
A inveja é simplesmente a incapacidade de ser melhor, de ter autoestima, de ser seguro de si. Só leva a destruição e não fará com que sejas ou tenhas o que deseja.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Auto-estima: cultive!


Quando a gente nasce com algum tipo de problema ou a vida lhe obriga a conviver com alguma imperfeição, o aprendizado sobre o que é amor próprio é um dos primeiros e mais importante.
Agora, estudando o assunto, fico me perguntando o que veio primeiro: a gagueira ou a baixa auto-estima? Chego a conclusão de que independente do ovo ou a galinha terem vindo antes, um problema alimenta o outro problema.
Quando existe algo porque lutar, você aprende que o amor próprio e a garra são suas mais poderosas armas e que apesar de qualquer "defeito" que exista em você, Deus lhe fez perfeito.
Aonde eu quero chegar com essa conversa toda?
Nós mulheres, quando meninas, ouvimos todos os contos de fadas em que a pobre jovenzinha é humilhada, aceita a humilhação, se sente um lixo mas no fim, como prêmio pela sua resignação e baixíssima auto-estima, casa-se com um príncipe maravilhoso e vive feliz para sempre, mas ninguém pensa o quanto é chato conviver com alguém que se sente inferior e deixa-se ser humilhado. Resumindo, quanto mais "humilde" e mais rebaixada se sentir, mais rápido o seu prêmio chegará. 
E acho que é por essas histórias contadas incansadamente que a grande maioria das mulheres tem o péssimo costume de cultivar a baixa estima sobre si mesmas, só sabem falar sobre seus defeitos e esquecem-se de ver o que existe de belo em seus corpos e personalidades, ta aí a campanha da DOVE para comprovar o quanto não nos vemos como somos.
Gente, não é porque a Gisele Bündchen ganha milhões com um rosto bilateralmente perfeito, e nem por isso o mais bonito, que todas precisamos ser dessa forma. Até porque se assim fosse, talvez o procurado pelos olheiros da moda seriam aquelas com assimetrias faciais, as diferenças, os tão más ditos "defeitos".
Só acho que não devemos esperar um problema físico ou emocional para colocarmos nosso amor próprio em prática. Não é errado ter uma alta auto-estima, é só você dizendo para o mundo que Deus lhe fez a imagem e semelhança Dele e que por isso você é perfeita e merece o que a vida tem a oferecer e que pode lutar e conquistar o que deseja.
Ame-se, porque isso ninguém fará por você e não espere alguém lhe dizer o quanto é bonita, olhe-se no espelho e diga isso, sinta-se linda.