domingo, 10 de outubro de 2010

Abandona

Vai, abandona. Deixa essa dor que te aflige. Abandona essa máscara de carnaval e mostra teu rosto triste.
Vai, abandona. Esqueça o que te faz mal. Queima a roupa, essa peça tão banal.
Vai, abandona. Para de olhar o que te enoja. Joga fora essa dor que te apavora.
Vai, abandona. Fecha os ouvidos para tantas mentiras. Esquece tudo o que todos te diziam.
Vai, abandona. Foge dessa vida que parece que te esqueceu. Corre de tudo que de errado tu aprendeu.
Vai. Abandona o que tu não queres ser e aprende a viver com a alma que contigo nasceu.

acertos

Era de todo bom. Fosse para que lado olhasse não via-se defeitos. Era de todo perfeito. E por que motivo não tirava ela daquele maldito encanto que turvava sua visão e tapava seus ouvidos? Será que ninguém poderia tira-la daquele topor?
A vida tinha sido muito doce há muito tempo atrás, nesse tempo ela sabia contar estrelas e sorrir com os olhos. Sabia amar apesar de não saber ser amada e, esse sempre foi seu maior e pior defeito. Houve o dia em que a dúvida bateu em a porta, uma lágrima caiu de seus olhos e uma nuvem negra começou a plainar em cima de sua vida.
Nada foi como antes. Ela não ficou amarga ou feia. Ela permaneceu como sempre fora, o que mudou foi a visão que ela tinha do mundo e a que ela tinha dele.
Até então não existia medo de coisa alguma, não existi cansaço depois do dia cheio, não existiam olhos opacos. Depois daquele dia, ela descobriu o medo do amor, o medo de dividir sua vida com alguém. Depois daquele dia, os dias ficaram muito longos e os olhos não viam mais - o mundo ao seu redor - como o mesmo brilho.
Porque ela não podia contar-lhe tudo o que passou, para que alguém pudesse realmente ajuda-la. Porque ele não podia perceber o quant ela precisava de ajuda, a começar pela conquista do seu coração.
Ela é tão fácil de se conquistar, se coração é uma manteiga, que se aquecida na temperatura certa só faz derreter.

sábado, 2 de outubro de 2010

Se non è vero, è ben trovatto

Sempre o mesmo sentimento.
Um medo sem fim nem motivo.
Sempre a mesma história.
A euforia inicial e o trauma final.
Sempre as mesmas idéias.
Questionamentos sem sentido, perguntas sem respostas.
Sempre os mesmos passos.
Começo rápido mas logo paro.
Sempre as mesmas lembranças.
No início esqueço, depois pergunto como fazer diferente agora.
Sempre, sempre, sempre desse jeito.
Uma felicidade que termina com a tristeza sem motivo que invade meu corpo.

sorri

A música enche a rua já vazia. Amaina o passo, embala o molejo da moça que passa.
O som colore a alma, forte e vibrante, sorri. Sorri como quem vê o sol depois da tempestade.
Colore com o intuito de fazer viver, de fazer sorri.